Enquanto espero o fim do mundo


Cronica do dia da toalha
1 de junho de 2015, 5:40
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Tudo que me destes te devolvo em linguagem.



Crônica do Dia da Toalha.
8 de junho de 2014, 17:23
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    “Antes de começar quero logo ir avisando que estou muito deprimido. ” Minha deixa. Eu sei, estou atrasado. Essa linha ressoou em minha mente nos últimos dias, e continuará, por muitos mais. Explico, recentemente uma amiga enviou-me um comentário a dizer que estou atrasado por ter parado de escrever e não ter voltado ainda, como prometera. Improvavelmente(-infinito), no mesmo dia perguntou-me, alguém que admiro e respeito, se tinha algo escrito e eu desconversei; minha própria balburdia e insegurança me fizeram recuar. Se, improvavelmente(-infinito), o autor da pergunta estiver a ler e for de seu interesse, tenho; há contos que posso enviar-te, só não os considero bons, pois nada em mim é.

     Pois bem, dia da Toalha. O do ano passado deveria ser o último, e talvez tenha sido; juro que tentei cumprir com minha palavra, mas não consigo. O tudo-mais sempre me puxa de volta, encarcera-me, sou amaldiçoado. E cá estou a escrever outra vez sobre este dia, perguntaram-me o porquê dele, e não sei como dizer; comecei para divertir meu outro – na época, única companhia que dispunha -, hoje, este dia, transmutou-se em ontologia.

     Distante, encaro os elementos de minha própria composição: fito a Valentina – cuja últimas palavras que a fiz sussurrar foram um obrigado e um sinto muito – e percebo-me impotente, como em oração, a declarar que sempre irei fracassar e aceitar minha derrota nessa guerra sem testemunhas; então fito nossa fotografia. Nós Somos Amaldiçoados. Sempre nos afastamos e corremos pelo mesmo chão, condicionados a buscarmo-nos em outros; mas ele não é você, ela não é você; por mais que eu force, que em minha mente soe sua voz, que tente te reconstruir, e por um tempo até acredite. Então te vejo, e minha pequena criação cai, pois a ela, falta teu tom, tuas nuances, teus signos e sinais, falta o que sinto quando te vejo, a reverberação de quem fui, e quem sou. E entristeço, pois não existo em mim mesmo, mas em vós, e em cada pedaço meu que se vai quando partis. Éramos nós e isso nos bastava. Nossas crenças nos faziam sonhar, mas foram nossos medos que trouxeram-nos até aqui, e levarão adiante, ao mesmo lugar, longe de casa; a uma ficção chamada realidade. Qual papel desempenhamos? Repetimos que somos, para dessa forma, tentar existir, mas nosso nome não nos pertence, não escolhemos, nos acostumamos a ele, e há um ruído entre reconhecermo-nos e a nossa percepção. Pois é, como já deu para notar, ainda tenho muitos problemas com meu atual estilo de vida.

     Resumo rápido, como costumeiro, do dia: acordar com paixão, discutir trivialidades e esvaziar o resto do dia com a bailarina. Muito sucinto, eu sei, mas os entreatos, não convém contar; apenas que ela estava ali, a uma distância confortável, a lembrar-me que o tempo passa, os atos transformam-se, mas o fruir dos dias é o mesmo.

    O que encontramos ano após ano percorrendo este mesmo chão?, que a matriz do sentido é indeterminável e não faz o menor sentido. Isso que 42 é, uma mera coincidência sem qualquer significado. Queria que tivéssemos aqui, a dizer nada de pânico, entendemos, tudo. Quebraríamos este pequeno aquário, daríamos nossas gargalhadas e dançaríamos, ao som da música que não podem ouvir; então, encerraríamos este fim do mundo, já que entendemos, tudo.

>> Nemo

ps: orgulhosamente informo que estou livre, com aceitáveis efeitos colaterais, dos psicotrópicos; até porque, em minhas mãos, eles são armas.



sobre ser escritor – Releitura de e.m.reyes
26 de maio de 2013, 7:45
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"A gente se mete a escrever porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada."

>>> Efraim M. Reyes.

(…) A gente se mete a escrever porque precisa de um álibi para não fazer droga nenhuma com a nossa vida miserável; a gente se mete a escrever como uma justificativa para nosso comodismo e preguiça de arranjar um emprego de verdade ou fazer uma faculdade; porque quer uma desculpa por ter largado as faculdades que começamos e dormir até as 12 todos os dias; porque acha que escritores são as únicas pessoas que tem o direto de serem vagabundos sem que ninguém diga nada – e nós somos vagabundos. A gente se mete a escrever porque assistiu muitos filmes americanos quando éramos crianças, ao invés de ir brincar lá fora, correr na lama, tomar banho de chuva e jogar bola com os amigos que nunca conseguimos fazer; porque na adolescência enquanto todos os nossos colegas de sala estavam ficando com as menininhas, nos liamos Kerouac, Bukowski, Miller, Fante, ou qualquer um destes bastardos e começamos a acreditar que sacávamos a vida; porque descobriu que Drummond era gauche e nos achamos no direito de sermos e sentirmos como Drummond; porque caímos na besteira de por um efémero segundo acreditarmos que poderíamos mudar o mundo – ao menos o nosso mundo. A gente se mete a escrever porque pensamos que poderíamos pensar na existência como Sartre e Nietzsche pensavam; porque copiávamos Tolstói, Dostoievski, Hemingway, no ensino médio e a professora de redação – aquela idiota -, nunca percebia; porque acha que pode imitar Borges, Llosla, Garcia Marquez, o Celine, e que ninguém, nunca, jamais vai descobrir. A gente se mete a escrever porque usava óculos, usava aparelho odontológico, usávamos a roupa que a nossa mãe nos vestia; porque não sabe cantar, não aprendeu a tocar violão, desistiu da aula de piano, não conseguiu aprender a desenhar, é péssimo em matemática, é péssimo em biologia, é péssimo no futebol, é péssimo com as garotas, é péssimo na vida. A gente se mete a escrever porque acha que isso vai disfarçar os nossos problemas; porque não queremos ir ao psicólogo; porque nos achamos uma merda e acreditamos que só assim para esquecermos a verdade: que nós realmente somos uma merda. A gente se mete a escrever porque rezávamos pedindo uma bicicleta e ganhamos um time de botão, rezávamos pedindo um irmão, um amigo, um cachorro e ganhávamos peixes, rezávamos para que Deus matasse aquele garoto encrenqueiro da escola, e o menino não ficava nem doente, rezávamos pedindo para mudar de cidade, mudar de escola, mudar de vida, mudar de nome, mudar de sina e continuávamos na mesmice. A gente se mete a escrever porque nos sentimos abandonados, esquecidos, substituídos pelo nosso pai, pelo nosso irmão mais velho, pelos nossos amigos, pelo nosso Deus, pela nossa primeira namorada; e queremos inventar uma explicação melhor para todos terem nos deixado, do que o simples fato de terem coisas melhores para fazer do que perder o tempo conosco. A gente se mete a escrever porque não tem autoconfiança, autoestima, auto piedade, só automutilação. A gente se mete a escrever porque a camisinha estourou, a pílula falhou, nossa mãe estéril engravidou e o nosso pai queria uma menina. A gente se mete a escrever porque os nossos pais achavam que seriamos autistas quando éramos crianças; porque ele zombava de nós, ria de nós, dizia aos outros que éramos malucos, esquisitos, molengas – e no fundo ele sempre esteve certo. A gente se mete a escrever porque acha que o papel vai aceitar nossa melancolia afeminada. A gente se mete a escrever porque não tem ninguém com quem conversar; está cansado de falar sozinho e acha que o papel vai nos responder; porque sonhamos em sermos entrevistados um dia, que nossa opinião será ouvida; porque fez um verso, escreveu uma linha e achou legal, porque usa um vocabulário culto (conhece palavras difíceis). A gente se mete a escrever porque se mete a pensar e sonhar e sentir, enquanto todos assistem televisão. A gente se mete a escrever porque é covarde de mais para encarar a vida, medroso de mais para encarar a morte e inseguro de mais para escolher entre um ou outro; porque sabe que vamos morrer sozinhos e nunca vamos ser nada nem ninguém nessa nossa maldita vida, e no fundo, a gente já aceitou isso. A gente se mete a escrever porque nasceu e agora não sabe o que fazer(…)

>>> Nemo



ON VACATION
15 de maio de 2012, 3:13
Filed under: ABOUT…

 

Sorry, we are temporarily halted due to what the author is on vacation in some rehab, and we have a reform, so

we back coming soon.



Encontre-me ao crepuscular na tua pele de leite derramado
6 de novembro de 2011, 2:33
Filed under: Song poem

Perder nos cabelos em teu rosto

Inalar vento bochornal da tua boca

Reunião em teus olhos de maré vazante

Encontra hodierno em enleio mascavo

A eternidade abraçada a teus braços e cetim

Relento em gozo e veneta inversível

Aguardar ermo e adusto a tua lua estival

————————————————————————————————————————–os pontos desse texto foram retirados, coloque-os por sua própria conta e risco 



ESTAÇÕES POR RANYSON FILIPE
2 de novembro de 2011, 2:04
Filed under: By friends

quatro_estacoes_1a

Descobri em meio ao rigoroso inverno

o qual aflingia-me

que há, no mais íntimo dele, um verão

eterno e invencível

e que perdurará de forma incomparável,

derretendo os frios fragmentos nevascos

com seu calor e ardência findantes,

levando embora toda frieza deturpante

que um dia insistira em

sorrateiramente

existir.



EX-d.isto
7 de agosto de 2011, 21:51
Filed under: Song poem

cato
    o
         vento
, com fio de cada
          falso
e lancino o estar vivo
    [e sentir
penso;        es que sô
e   sem querer
    [já sendo
o pior fracasso sem pedir

enleiome em lama
e lôa,
    a toa
        reportome a proa
de um quasar
passo
    e re passo,
        e com passo
            meu passo
tendo a provar
    [NÃO ESTOU AQUI
meu isto,
    por isto
        ex isto
             e dez isto
    [façame r-ir

ensaio
    meu laio
e saio
    num raio
cobaio de
    [emlouqser
exprimo
    meu imo
no pino
    do tino
feito menino
    [sem querer ver…

o vento velho do moço
COMsumindo o inoutser
do cortar de pele
    [de estar
perguntame o que não sei
só para me ver
    errar]